Exercícios podem desacelerar a Doença de Parkinson?
A doença de Parkinson acontece quando certos neurônios do cérebro começam a se deteriorar. A medicação é parte importante do tratamento, contribuindo para o alívio dos sintomas, mas ela não impede o avanço da doença. Adotar hábitos de exercícios físicos precocemente é essencial para o manejo do Parkinson, pois a atividade regular está associada a efeitos positivos nos sintomas motores (como lentidão e rigidez muscular) e não motores (como alterações cognitivas, depressão e fadiga). Além disso, os exercícios podem ter um efeito neuroprotetor, ajudando a preservar os neurônios e, assim, desacelerar a piora do quadro.1-2
Como os exercícios podem ajudar a desacelerar a Doença de Parkinson?2-4
A perda gradual de neurônios que produzem dopamina, uma substância importante para o controle do movimento, é a principal responsável pelo desenvolvimento e progressão da doença de Parkinson. Existem indícios de que a prática regular de exercícios pode proteger esses neurônios. Por exemplo, um estudo publicado em 2024 por pesquisadores da Universidade de Yale mostrou que pacientes em estágio inicial da doença, que participaram de um programa de treinamento físico intensivo por seis meses, apresentaram aumento de substâncias relacionadas à saúde dos neurônios produtores de dopamina.2
Que outros benefícios os exercícios oferecem para pessoas com Doença de Parkinson?
Além de seu potencial efeito neuroprotetor, o exercício oferece outros benefícios para pessoas com doença de Parkinson, promovendo a melhora de sintomas motores e não motores. Alguns dos principais benefícios incluem:5-6
- Redução dos sintomas motores – melhora aspectos como equilíbrio, postura, marcha, coordenação motora e rigidez muscular;5
- Melhora da função cognitiva – auxilia na memória e em outras funções cognitivas;
- Melhora do humor – reduz sintomas de depressão e ansiedade, contribuindo para uma sensação geral de bem-estar;
- Melhora da qualidade de vida – aumenta a independência e a capacidade de realizar atividades diárias;
- Melhora do sono – contribui para um sono mais profundo e reparador;
- Redução da fadiga – aumenta os níveis de energia e resistência ao longo do dia;
- Diminuição da constipação intestinal – promove um funcionamento mais regular do intestino;
- Melhora da resistência óssea – reduz o risco de fraturas e outras lesões ósseas. 5
Importante – o objetivo do exercício não deve ser substituir a medicação, mas sim complementá-la para maximizar a qualidade de vida.
Como pessoas com Doença de Parkinson podem incluir a atividade física na rotina?
Incorporar a atividade física na rotina pode ser desafiador para algumas pessoas com doença de Parkinson, mas é importante que cada pessoa faça conforme suas capacidades e limites. Aqui estão algumas dicas para adotar esse hábito de forma segura e eficaz:6
Consulte profissionais de saúde – antes de iniciar qualquer novo programa de exercícios, é essencial consultar seu médico e, se possível, um fisioterapeuta especializado em doença de Parkinson. Eles podem ajudar a planejar um programa adequado às suas necessidades e limitações.6
Inicie o mais cedo possível – começar um programa de exercícios logo após o diagnóstico, enquanto os sintomas são leves, pode proporcionar maiores benefícios a longo prazo.7
Comece devagar – comece com caminhadas curtas ou atividades leves e aumente gradualmente a intensidade e a duração do exercício conforme tolerado, sempre com o aval do médico.6
Intensidade e frequência – não existe uma prescrição de exercício que seja certa para todas as pessoas com doença de Parkinson.6 Uma boa referência são as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para adultos de forma geral: pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 minutos de intensidade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular duas vezes por semana.8
Consistência é fundamental – independentemente da intensidade, o importante é se exercitar de forma consistente. Por isso, escolha atividades que você realmente goste e consiga manter.6
Segurança em primeiro lugar – conheça seus limites e exercite-se de forma segura para evitar lesões. Se tiver problemas de equilíbrio, considere exercícios sentados ou deitados.7
Faça do exercício uma atividade social – participar de grupos de exercício ou fazer atividades físicas com amigos e familiares pode tornar o processo mais agradável e motivador.6
Varie sua rotina – tentar novas atividades pode ser benéfico, pois estimula tanto o cérebro quanto os músculos.6
Quais tipos de exercícios são recomendados para pessoas com Doença de Parkinson?
Os exercícios aeróbicos são os únicos com evidências sólidas de desacelerar a evolução da doença de Parkinson.3 No entanto, é aconselhável que os pacientes combinem uma variedade de exercícios físicos, pois cada tipo oferece benefícios específicos para diferentes aspectos da doença.6 Entre as principais modalidades recomendadas estão:
- Atividade aeróbica – caminhar, correr, andar de bicicleta, dançar e nadar são exemplos que melhoram a capacidade cardiovascular, o fluxo sanguíneo cerebral e a saúde geral. Exercícios aeróbicos ajudam também na marcha e na coordenação motora.7
- Treinamento de força – exercícios como levantamento de pesos e agachamentos ajudam a fortalecer os músculos e a melhorar a mobilidade;6
- Atividades de equilíbrio e flexibilidade – ioga, tai chi chuan e pilates contribuem para melhorar o equilíbrio, a postura e a estabilidade, além de reduzir o risco de quedas;7
- Exercícios de alongamento – são úteis para melhorar a rigidez muscular, um sintoma comum da doença de Parkinson;7
- Treinamento funcional – focado em movimentos do dia a dia, como ficar de pé ou levantar e alcançar objetos, para que as atividades diárias sejam realizadas com mais facilidade e segurança.6
Lembre-se que, antes de iniciar qualquer novo exercício, é fundamental consultar um médico para adequar as atividades às necessidades individuais.
Referências:
1. AHLSKOG, J. Eric. Does vigorous exercise have a neuroprotective effect in Parkinson disease? National Library of Medicine, 2011. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3136051/. Acesso em: 02/08/2024.
2. LAAT, Bart de; HOYE, Jocelyn; STANLEY, Gelsina; HESPELER, Michelle; LIGI, Jennifer; MOHAN, Varsha; WOOTEN, Dustin W.; ZHANG, Xiaomeng; NGUYEN, Thanh D.; KEY, Jose; COLONNA, Giulia; HUANG, Yiyun; NABULSI, Nabeel; PATEL, Amar; MATUSKEY, David; MORRIS, Evan D.; TINAZ, Sule. Intense exercise increases dopamine transporter and neuromelanin concentrations in the substantia nigra in Parkinson’s disease. Nature, 2024. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41531-024-00641-1. Acesso em: 23/07/2024.
3. AHLSKOG, J. Eric. Aerobic exercise: evidence for a direct brain effect to slow Parkinson disease progression. Mayo Clinic Proceedings, 2018. Disponível em: https://www.mayoclinicproceedings.org/article/S0025-6196(17)30898-4/fulltext. Acesso em: 23/07/2024.
4. XUA, Xiaojiao; FUA, Zhenfa; LEA, Weidong. Exercise and Parkinson’s disease. Sociedad Española de Geriatría y Gerontología (SEGG), 2019. Disponível em: https://formacion.segg.es/impacto-parkinson-sobre-metabolismo-oseo/cursos/5/Articulo5_1.pdf. Acesso em: 23/07/2024.
5. WHY exercise is critical for people with Parkinson’s disease. American Parkinson Disease Association (APDA), 2021. Disponível em: https://www.apdaparkinson.org/article/why-exercise-with-pd/. Acesso em: 23/07/2024.
6. EXERCISE and PD. Parkinson’s Foundation. Disponível em: https://www.parkinson.org/library/fact-sheets/exercise. Acesso em: 23/07/2024.
7. FIELDS, Lisa. Can exercise help people with Parkinson’s disease? 4 things to know. Yale Medicine, 2024. Disponível em: https://www.yalemedicine.org/news/can-exercise-help-people-with-parkinsons. Acesso em: 23/07/2024.
8. WHO Guidelines on physical activity and sedentary behaviour. World Health Organization, 2020. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/336656/9789240015128-eng.pdf?sequence=1. Acesso em: 23/07/2024.
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